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O · real · vazio · dos · meus · dias

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Sem sexo durante a semana. Isso é tão distante de mim, mas a namorada atual está começando agora, precisa mentir em casa, é cheia dos não me toques. No fim de semana passei um martírio até convencer que a gente podia transar na época da menstruação, que sangue não é problema (ao contrário, sou fascinado por todas essas coisas, obssessivamente mesmo). Foi bom.

Ontem o rapaz que eu conheci no jantar domingo, na casa de uns amigos, ligou. Pegou meu celular com algum deles, nem disse. Provavelmente acha que eu sou gay. Eu até já transei com homens, mas faço apenas quando viajo, saio da cidade. Descobri que isso de cidade grande é mentira e todo mundo se encontra por aí. Usei a melhor desculpa: não podia sair porque tinha jantar com a namorada. Eu nem a vejo na semana.

Pra quem pergunta, eu acho que não conheço ninguém que tenha livejournal. Entrei aqui porque lia um, que encontrei não sei como. Aí saí adicionando um bocado numa noite ociosa, quando resolvi montar o meu. Se alguém se sentir ofendido com o assunto aqui, tudo bem, não precisa adicionar, e minhas desculpas. Eu sou um cara totalmente diferente durante o dia. Mas preciso escrever minha outra parte em algum lugar, dar algum tipo de vida a ela, mesmo que seja virtual e anônima :)

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Nada nos jornais do dia. Deu um alívio :)

Amanhã é visita da minha namorada. Traduuzindo em uma tarde de sexo induzido. Imagino que ela preferia passear comigo pelo calçadão da praia ou nalgum shopping e não só ficar servindo meus instintos todas as poucas vezes que nos encontramos (muito em parte minha culpa, que mantenho a distância na maior parte dos dias. Eu faço isso com quase todo mundo ultimamente. Tenho medo, assim, de perder a cabeça na frente de gente conhecida. Ando acostumado a ter meus surtos de angústia nos momentos mais impossíveis da noite). Até semana passada ela era virgem. Nem levei muito tempo em convencer que devíamos transar. É bom, eu gosto um pouco dela e quero me segurar para não ir logo saindo com outras pessoas escondido, bem, estava querendo transar depois de algumas semanas sem. Ela também adorou depois que acabamos. Minha única decepção é que ela não sangrou. Eu nunca transei com uma virgem e morria de vontade de ver o sangue do rompimento, nem consegui conter a ansiosidade, mas não estava lá. Não duvido que ela não fosse virgem, é uma garota bem tímida e jovem, só tive que dar uma de ator pra esconder a decepção de um hímen complacente (é assim que chama?). Esperar pra ver se amanhã compensa, quase sempre sim, né?

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Minha vida, a parte visível dela, vai bem. Ninguém soube da psicanálise, ninguém sabe de muita coisa. Nas consultas é que o doutor aconselhou que eu escrevesse, se gosto disso. Aposto que ele pensou num caderninho. Só que eu lembrei, anos e anos atrás, blog era novidade, e eu encontrei sem querer (mas uma coincidência bem vinda no meu caso) o blog de um cara que transava com defuntos, tinha tesão nisso. Eu me arrependo de não ter gravado o link, ou gravei e se perdeu, mas não esqueço do assombro que fiquei lendo aquela coisa toda na época em que varava madrugadas com internet discada.

Eu preciso soltar uns segredos. O doutor lá disse que melhor eu ter alguém de confiança para falar as coisas que acontecem, os meus desejos, essas coisas. Ele que não sabe, e eu mesmo não teria coragem, todo mundo ia fugir. Não que eu ache tão grotesco, mas a maioria acha, eu sei.

Tudo, fora, está bem. Vou ter uma promoção no emprego logo me formar, e não falta tanto. Depois de um ano e tanto, encontrei uma nova garota para namorar e nós já fizemos sexo semana passada. Bom sexo, ainda mais por ela ser virgem. Ninguém sabe, logo por conta fico com os bons amigos nas vezes que saio de casa. Falta um gato, talvez. Que corra pela casa ou fique deitado no meio do meu trajeto.

O problema é a morte. Eu tenho uma angústia real por ela, mas não chega a ser um desejo suicida. Sei explicar muito não.

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Culpa da insônia, das luzes acesas de casa. Se eu não podia ligar pra ninguém, e ontem, segunda-feira, não iam sair comigo, arranjar o que distrair até essa minha angústia passar. Tive vontade de ir ao aeroporto, ir tomar café entre quem passava por lá, sem preocupar com que horas da madrugara fossem. Não fui, peguei um caminho pra fora da cidade, quase pensei em subir a serra. Bati num motoqueiro na rodovia.

Desci do carro daquele jeito, me tremendo todo. Eu tinha visto o sangue, fui chegar mais perto mas fiquei repugnado. O cara tava sem capacete também, com uma jaqueta velha, por aquela hora indo pra onde? Eu arranquei. Ainda nem tive coragem de procurar no jornal qualquer notícia de acidente por aí. Devia nem pensar mais nisso, mas eu sou um obssesivo por essas bizarrices. E prometi seguir o conselho do psicanalista como meu último esforço de vida. Mas isso também, só faço porque não me pareceu má idéia.

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Acho que ontem matei um homem.
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